domingo, 18 de dezembro de 2011

A bela adormecida


‘Eu tenho que me achar’ a jovem me falou. Já tinha passado horas tentando ajuda-la a sair daquela depressão que a levava a querer se fechar num quarto e não sair para nada. Ela visitava um psicólogo semanalmente, tinha todo o apoio da família, e não tinha nenhuma razão de ser tão triste. Mas nada era bom o suficiente. Família feliz, e daí? Saúde, e daí? Beleza, e daí? Dinheiro, e daí? Ela vivia no mundo da lua, sua meta era ser uma celebridade. Assistia filmes e ouvia músicas deprimentes praticamente o dia inteiro.
Depois de tanto tentar ajudá-la, eu não aguentei ao ouvir sua última frase e disse ‘Boa sorte então! O dia que você conseguir se achar, me diga.’ E saí.
Grossa? Sim um pouco. Eu acho que as vezes só assim que a pessoa me entende.
Após conhecer o meu primeiro amor aos 15 anos, não foi a situação nem as pessoas ao meu redor que mudaram—eu mudei. Já não via as coisas como antes, havia uma alegria e uma paz interior que não se afetava com o exterior. Eu passei a valorizar o que antes eu desprezava e admirar o que antes eu nem reparava.
O dia em que eu me encontrei com Deus, eu acordei uma pessoa que estava adormecida em mim. Antes, ela não conseguia enxergar as coisas direito e entendia tudo errado. Ela era boba, muito boba, se deixava levar pelas coisas que não fazia nenhuma diferença em sua vida. Quanto mais música ela ouvia, mais triste ela se sentia. Quanto mais ela invejava os outros, mais feia e insignificante ela se tornava. E do jeito que ela se via, todos também a viam.
Que vida triste e sem nexo, mas naquele dia, ela acordou, eu me achei.

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